Improviso de palavras
Minha atuação em sala de aula começou com o inicio do ano escolar do meu irmão (kkk), naquela época pensava em ser tantas coisas...Professora, Secretária, Modelo, Bailarina, Cantora, Dona de casa (kk), bons tempos esses de brincar de ser alguma coisa e que eu achava que realmente era, acho que é por isso que até hoje adoro a ludicidade presente no ser humano, principalmente nos primeiros anos de vida. Enfim, meu irmão e minha vizinha eram excelentes alunos, levavam até tarefa de casa e eu era quem comprava os cadernos. As aulas eram do tipo "polivalente"; ainda acho alguns cadernos desses aqui em casa, nos quardados de Dona Penha, a verdade é que desde essa época me apaixonei pela educação e acredito muito nela para a evolução e liberdade do ser humano e a forma escolhida por mim para me fazer "verdade" e sair dos contos foi meu ingresso no curso de dança da Faculdade Paulista de Artes. Uma busca que se fez indiretamente, de acordo com as circuntâncias. Meu primeiro emprego foi como monitora e registrada como "pajem", adorava as crianças e odiava o trabalho, foi ali que aprendi que ser professora é muito difícil e é de uma responsabilidade surreal, apropósito adoro o surrealismo, e vi que precisava crescer. Paralelo ao trabalho de pajem x monitora que fazia iniciei um "curso" de Jazz Dance no salão da comunidade que frequentava, aliás adoro salões de comuindades, durou um ano e então percebi que precisava estudar mesmo. Com meu ingresso no Grupo Raça percebi que o caminho seria longo ( e olha que n estou nem na metade do caminho) e que ser educadora de "expressões corporais", CARAMBA! era pior. Esse tipo de educador lida com psico e o físico ao mesmo tempo. Você já parou para pensar o que é isso?
Eu parei. Minha escoliose acentuada, que segundo os médicos, foi agravada por exercícios físicos mal orientados me fez refletir se era isso que eu queria para o meu próximo, meus alunos. Que profissional eu seria? Foi nesse momento que entrei na faculdade .
Lá aprendi que o corpo é uma jóia rara e única, feita por encomenda, uma vez danificada não existirá concerto que dê jeito, também que o corpo não é uma divisão de partes: cabeça, tronco e membros como aprendemos nos primórdios da educação e sim que ele é um "todo", tudo está minunciosamente interligado, ou seja, problemas no pé quer dizer problema na coluna, que dor de cabeça quer dizer problema em algum órgão e que mexer em algum nervo quer dizer mexer no corpo como um todo e que fisioterapia tem suas vantagens, mas não é a solução.
Descobri o poder do impacto do nosso corpo no chão, de um simples salto, o poder da força da gravidade, o perigo dos sapatos de saltos altos e quão perigosa é nossa profissão. Meu irmão custuma dizer que o futebol é um esporte muito violento, e eu concordo com ele, mas devo admitir que eu escolhi uma profissão tão perigosa e violenta quanto e dependendo da técnica o vilão da história sou eu mesmo.
Por ironia do destino (acredito nunca ter pensado nisso, somente agora) nossa orientadora de TGI = Monografia tinha uma escoliose "cabulaso", horrível, eu ficava relamente nevosa na presença dela, até hoje tenho medo de ficar como ela e fora isso sua psique era totalmente fragilizada.
Hoje trabalho com o que gosto e de forma consciente, estou certa que estou em constante mutação, mas ao terminar a faculdade descobri outra coisa, fazer faculdade significa busca de informações com pessoas capacitadas para isso, mas a grande escola é o dia-a-dia, nada se compara a prática, isso exige até um excesso de humildade.
Este ano faço 5 anos de trabalho na Escola Sagrada Família e posso afirmar que nenhum ano foi igual ao outro. Nessa escola existe a DISCIPLINA DE DANÇA e a 5 anos pesquiso, estudo para poder criar uma situação favorável de aprendizagem para o meu aluno. Também estou a 5 anos tentando responder a pergunta que o meu professor de licenciatura Marcelo Soller nos fez no último ano de faculdade.
Por que a disciplina de dança é importante na escola?
Confesso que na época divididos em grupos a sala não conseguiu dar uma resposta que o convencesse e nem a mim. O que soa melhor aos meus ouvidos e que consegue me convencer é que o momento que o individuo dança ele consegue expressar através de seus movimentos o que sente, consegue colorir a mente e neutralizar ou colocar para fora preocupações, conecta-se consigo mesmo de forma a se conhecer, conecta-se ao outro de forma a conhecê-lo estando livre da crítica e estando aberto a aceitação e auto-aceitação. Acredito poder denominar de momento lúdico, sério, mas que não deixa de ser lúdico, principalmente na faze adulta. Com isso, se visualizarmos uma onda energética, esse sentimento de prazer, relaxamento e felicidade reverbera em todas as outra áreas da vida, facilitando o convívio com as outras pessoas e com seus próprios problemas, melhorando sua concentração, permitindo se sentir parte da sociedade.
Aqui estam alguns trechos da matéria Porque ensinar dança na escola? Por Miriam Lamas Baiak
O professor ainda trabalha como mediador, ele dá informações, mas não esquece das informações que o aluno possui, deixando-o dar sua opinião. Ele dá sentido ao conteúdo e direções para o aluno buscar soluções para seus problemas; desta forma o aluno produz saber, pois faz relações das informações já existentes com as novas. Esta é o professor que Vygostsky cita como o ideal para o processo de aprendizagem. (MOYSES, 1994)
Como vimos a dança está "dentro" das teorias de ensino aprendizagem. Pois, ela relaciona o individuo com o ambiente a sua volta e dá tarefas a ele para que busque informações, reflita, relacione conhecimentos e chegue a uma conclusão. Isto tudo ainda de forma divertida e prazerosa.
Então porque a dança está tão distante da escola? Porque ainda é vista apenas como uma atividade de prazer?
Segundo Marques, no Brasil até a década de 80 eram poucas escolas que ensinavam arte, e este ensino visava apenas as artes plásticas, que também não possuíam qualidade.
Então Ana Mãe Babosa cria a proposta triangular: pensar, fazer e entender arte; onde a arte entra no currículo escolar como área de conhecimento.
Esta proposta gerou discussões sobre se a arte é realmente conhecimento e o que seria este conhecimento. Então, não é mais necessário só fazer arte, mas pensa-la e entende-la. Os alunos deveram tornar-se fluidores de arte.
Durante os anos, a arte vai ganhando valor e em 1997 entra, finalmente, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).
Como podemos ver a arte é nova dentro da educação; ela sempre foi tratada como uma atividade a mais para distrair as crianças e não como área de conhecimento. E a dança é mais nova ainda.
Pois ao longo da história podemos ver que o pensamento de uma sociedade leva tempo para mudar.
E o que podemos fazer é lutar para mostrar que dança não é só movimento, mas também um pensamento; que se dá através de um processo de corpo e mente.
Assim, talvez, daqui a alguns anos nossas crianças façam, entendam e reflitam arte. E façam com que a dança cumpra um de seus objetivos que é formar cidadãos.
Já ia me esquecendo hoje também sou Secretária (kk) de uma escola de dança, claro!
A dança no contexto educacional brasileiro aparece como conteúdo da disciplina Artes; e é citada nas atividades Ritmicas e Expressivas da Educação Física. O profissional de Arte trabalha a dança como atividade e linguagem artística, forma de expressão, como conceito e linguagem estética de arte corporal. Enquanto que o profissional de educação física se utiliza da dança de forma instrumental, assim como a ginástica, os esportes e as lutas, enfocando o aspecto bio-fisiológico, e forma de atividade para condicionamento físico, visando bem estar e saúde que é sua área de atuação.
É preciso deixar claro que professor de educação física não é professor de dança. Apesar deste profissional se utilizar da dança como instrumento, em academias de ginástica para obter condicionamento físico e melhorar a qualidade de vida por exemplo. Os cursos de Educação Física não formam ou qualificam profissionais de dança, seja o artista bailarino, dançarino ou coreógrafo.
O ensino da dança nas escolas brasileiras deve ser abordado dentro do conteúdo Artes, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (fonte www.mec.gov.br)constitui componente curricular obrigatório, contemplando para o ensino fundamental Artes Visuais, Dança, Música e Teatro, e, para o ensino médio, além destas linguagens já citadas, há a inclusão das Artes Audiovisuais. (PCN - BRASIL, 2000, p. 46)
A abordagem da dança dentro do contexto da educação física é complementar e deve auxiliar no preparo físico para que os profissionais de artes possam atuar.
A dança é uma área de conhecimento autônoma, até mesmo dentro das Artes, e é preciso ser respeitada e reconhecida como tal. A formação para professores e artistas de dança é adquirida nos cursos superiores de dança (bacharelados e licenciaturas) e a profissão é regulamentada pela Lei 6.533/78 a Lei do Artista.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7a

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